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Dementia Praecox and Paraphrenia by Emil Kraepelin

Introdução e Visão Geral da Demência Precoce

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Introdução e Visão Geral da Demência Precoce

DEMÊNCIA PRECOCE E PARAFRENIA

Professor EMIL KRAEPELIN de Munique

TRADUZIDO POR

R. MARY BARCLAY, M.A., M.B.

Da Oitava Edição Alemã do “Tratado de Psiquiatria,” vol. iii., parte ii., seção sobre as Demências Endógenas

EDITADO POR

GEORGE M. ROBERTSON, M.D., F.R.C.P. (Edin.)

Docente de Doenças Mentais na Universidade de Edimburgo e Médico do Asilo Real, Morningside

Prefácio do Editor

A Demência Precoce tem despertado mais interesse e especulação do que qualquer outra forma de alienação mental em nosso tempo, com possível exceção da paralisia geral dos alienados. Por isso, considero altamente valiosa a utilidade do trabalho que a Dra. Mary Barclay realizou ao trazer para os médicos de língua inglesa uma tradução fiel das opiniões do Professor Kraepelin, que é a autoridade reconhecida sobre este assunto. Em nenhum país houve menor inclinação em aceitar suas doutrinas sem qualificações do que neste, mas tão importantes são elas, que todo médico da mente que deseje manter-se atualizado com a pesquisa clínica moderna deve estar familiarizado com elas. O presente trabalho, portanto, supre uma lacuna ao fornecer de forma acessível a conta completa e mais recente deste assunto pelo Professor Kraepelin. Além disso, não há outra publicação em língua inglesa que trate exclusivamente da demência precoce em todos os seus vários aspectos.

O Professor Kraepelin nos informa que obteve o ponto de partida que o levou a considerar a demência precoce como uma doença distinta no ano de 1896. Ele admite “que Clouston também, que falou de uma ‘alienação mental adolescente’, tinha evidentemente em vista acima de tudo a demência precoce, embora ainda não a tivesse separado dos casos de alienação maníaco-depressiva, que igualmente frequentemente começam nesta época.” A identidade da “demência secundária da adolescência” de Clouston com as principais formas de demência precoce é bastante aparente para qualquer um que leia o notável discurso sobre demência que ele proferiu em 1888 quando Presidente da Associação Médico-Psicológica. Enquanto, porém, Sir Thomas Clouston considerava alguns de seus casos de alienação adolescente como sendo de um tipo desfavorável que frequentemente terminava em demência secundária, o Professor Kraepelin consideraria estes mesmos casos, desde seus sintomas iniciais em diante, como sendo exemplos de uma forma distinta de doença, a saber, demência precoce. Esta situação, portanto, recorda de maneira interessante as circunstâncias relacionadas à descoberta da paralisia geral dos alienados. Esquirol e seus alunos estiveram observando durante dezessete anos casos de “alienação mental complicada com paralisia”, quando Bayle, em 1822, ousadamente afirmou que os sintomas desta condição clínica eram os de uma doença separada e definida. Esta hipótese se provou verdadeira; será demasiado cedo dizer o mesmo da anterior?

A tarefa do Professor Kraepelin em descrever as características distintivas da demência precoce não foi fácil, e mesmo agora ele não chegou à finalidade em suas opiniões. Ele não está satisfeito com sua delimitação de seus limites, nem com todas as subdivisões que criou, embora acredite que sua tese principal foi substanciada. Nem a demência terminal nem a precocidade é, porém, um elemento essencial do quadro clínico, embora sua relutância em descartar a primeira seja muito evidente, e este resumo magistral foi de fato preparado unicamente a partir da observação de casos que realmente se tornaram dementes.

Agora que a paralisia geral dos alienados, após um século de observação e pesquisa, revelou a maioria de seus segredos, o problema prático mais importante enfrentado pelo psiquiatra e pela comunidade, no domínio da higiene mental, é o da demência precoce. Os pacientes que sofrem desta doença formam a maior parte dos internos de nossos hospitais psiquiátricos. O pesado fardo financeiro imposto ao público para o tratamento dos alienados resolve-se, portanto, em grande medida nos gastos necessários para o cuidado vitalício das vítimas quase desesperadas deste transtorno. Além disso, como a doença não causa morte diretamente, e como tais pacientes levam vidas protegidas e vivem longamente, tendem a se acumular. Assim formam a razão principal para a necessidade periódica de ampliar nossos hospitais psiquiátricos e de erigir novos. Se um estudo das causas e tratamento deste transtorno resultasse em sua prevenção ou diminuição, sua cura ou alívio, um benefício prático para a sociedade do tipo mais direto e valioso seria conferido. Tal investigação deveria ter o apoio do Ministério da Saúde, pois esta doença custa ao Estado mais do que qualquer outra. Como evitar esta demência continua sendo o problema cardinal da psiquiatria.

Espera-se que a publicação desta tradução estimule o interesse dos médicos de língua inglesa nestes estados peculiares de enfraquecimento mental, promova observação e pesquisa clínica adicional, e leve a maior precisão de diagnóstico e prognóstico, com melhor compreensão da natureza da doença.

GEORGE M. ROBERTSON.

UNIVERSIDADE DE EDIMBURGO, julho de 1919.

Prefácio da Tradutora

Como o objetivo desta tradução é trazer as opiniões do Professor Kraepelin, de Munique, sobre demência precoce perante os membros de língua inglesa da profissão médica que podem não estar intimamente familiarizados com o alemão, fiz-a tão literal quanto pareceu consistente com um inglês legível. A Psiquiatria do Professor Kraepelin é o principal livro-texto alemão sobre transtornos da mente, e portanto acedi de bom grado ao desejo do Dr. George Robertson de fazer uma tradução completa da seção sobre demência precoce. Esta doença especial ainda requer muita elucidação, e em seu estudo médicos, educadores e criminologistas podem bem trabalhar juntos. É especialmente no aspecto educacional que as observações ou investigações do Professor Kraepelin parecem ser deficientes. Não deveria ser difícil neste país coletar os fatos necessários relacionados a casos individuais, e até certo ponto isto já está sendo feito. Quando estes fatos forem classificados, muito benefício deveria resultar para a educação, avanço médico e bem-estar público.

Ao Dr. George Robertson devo expressar meus agradecimentos por muitas sugestões úteis, e ao Dr. Walker pela dedicação incansável com que revisou as provas.

R. MARY BARCLAY. Edimburgo, julho de 1919.

Conteúdo

Introdução—As Demências Endógenas

I. Demência Precoce

II. Sintomas Psíquicos

  • Percepção
  • Atenção
  • Alucinações (pensamentos ouvidos, influência do pensamento)
  • Orientação
  • Consciência
  • Memória
  • Retenção (pseudo-memórias)
  • Curso do pensamento (perda de atividade mental)
  • Associação
  • Estereotipia
  • Paralogia, evasão
  • Coação
  • Eficiência mental
  • Julgamento
  • Delírios
  • Embotamento emocional, ataxia dos sentimentos
  • Enfraquecimento do impulso volitivo
  • Obediência automática (catalepsia, ecolalia, ecopraxia)
  • Ações impulsivas
  • Agitação catatônica
  • Atitudes e movimentos estereotipados
  • Maneirismos
  • Parabulia
  • Negativismo (autismo, estupor)
  • Personalidade
  • Eficiência prática
  • Movimentos de expressão
  • Incoerência
  • Estereotipia (verbigeração)
  • Negativismo (mutismo, evasão)
  • Desvios na busca de palavras
  • Parafasia
  • Neologismos
  • Akatafasia
  • Sintaxe
  • Desvios no curso do pensamento

III. Quadro Clínico Psíquico Geral

  • Embotamento das emoções
  • Ataxia intrapsíquica

IV. Sintomas Somáticos

  • Cefaleia
  • Transtornos pupilares
  • Reflexos tendinosos
  • Movimentos musculares
  • Convulsões
  • Careta
  • Afasia
  • Transtornos vasomotores
  • Pressão arterial
  • Respiração
  • Secreção de saliva
  • Temperatura
  • Menstruação
  • Quadro sanguíneo
  • Metabolismo
  • Alterações na tireoide
  • Sono
  • Nutrição
  • Peso

V. Formas Clínicas

  • Demência precoce simples
  • Demência precoce tola, hebefrenia
  • Demência precoce depressiva simples, estupor
  • Demência precoce depressiva delirante
  • Demência precoce circular
  • Demência precoce agitada
  • Demência precoce periódica
  • Catatonia, agitação, estupor (melancolia attonita)
  • Demência precoce paranóide, gravis
  • Demência precoce paranóide, mitis
  • Demência precoce com fala confusa, esquizofasia

VI. Curso, Remissões

VII. Desfecho

  • Recuperação, recuperação com defeito
  • Debilidade mental simples
  • Debilidade mental alucinatória
  • Debilidade mental paranóide
  • Demência balbuciente
  • Demência apática
  • Demência tola
  • Demência maneirista
  • Demência negativista
  • Indicações prognósticas
  • Morte, mortalidade

VIII. Anatomia Patológica

  • Morbidade celular
  • Alterações na glia
  • Atrofia das fibras medulares
  • Relações das alterações no córtex com o quadro clínico

IX. Frequência, Causas

  • Época da vida
  • Hebefrenia enxertada
  • Idiotia
  • Demência precocíssima
  • Catatonias tardias
  • Demência tardiva
  • Sexo
  • Condições gerais de vida
  • Predisposição hereditária
  • Lesão do germe, alcoolismo, sífilis
  • Idiossincrasia pessoal
  • Causas externas—esforço excessivo, infecção, sífilis, traumatismo craniano, álcool, encarceramento, reprodução
  • Vida sexual
  • Auto-intoxicação
  • Complexos freudianos

X. Delimitação

  • Formas paranóides
  • Catatonia
  • Catatonias tardias
  • Formas periódicas
  • Confusão de fala

XI. Diagnóstico

  • Sintomas catatônicos
  • Estados psicopáticos
  • Imbecilidade e idiotia
  • Alienação mental maníaco-depressiva
  • Histeria
  • Psicoses psicogênicas
  • Dissimulação
  • Epilepsia
  • Paralisia
  • Amência (alienação mental confusional ou delirante)
  • Sífilis cerebral
  • Doenças paranóides

XII. Como Combatê-la

  • Tratamento da causa (castração, imunização, excisão da tireoide), profilaxia
  • Tratamento dos fenômenos mórbidos, ocupação
  • Tratamento por leucocitose

XIII. Parafrenia

  • Definição e classificação
  • Parafrenia sistemática
  • Parafrenia expansiva
  • Parafrenia confabulante
  • Parafrenia fantástica

Lista de Ilustrações

Fig. 1. Testes de Cálculo

Fig. 1. Testes de Cálculo

Fig. 2. Influências Somáticas

Fig. 2. Influências Somáticas

Fig. 3. Grupo de Pacientes Esquizofrênicos

Fig. 3. Grupo de Pacientes Esquizofrênicos

Fig. 4. Flexibilidade Cérea (a)

Fig. 4. Flexibilidade Cérea (a)

Fig. 5. Flexibilidade Cérea (b)

Fig. 6. Flexibilidade Cérea (c)

Fig. 6. Flexibilidade Cérea (c)

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